Hoje, na revista de domingo do O Globo, duas crônicas lidas,
me fizeram relembrar a minha infância e adolescência.
A primeira foi da atriz Ana Beatriz Nogueira, que
descreve, com saudades, o seu médico da infância. Quem não teve um médico na
infância? Não estou falando de um pediatra... mas de um médico, daquele tipo
“faz tudo”ou melhor “sabe de tudo”. Por isso me lembrei do doutor Armando... seu consultório era num sobrado na Rua Mariz e
Barros, quase esquina de Campos Sales. Gordo, careca, de uma simpatia irradiante e conhecido por toda
aquela região. Atendia crianças, jovens, adultos e idosos e seu
conhecimento se estendia a todas as especialidades. Nada de ultra- sonografia, tomografia, e todos
os “fias” da vida. Usava apenas um estetoscópio, uma lâmina para examinar a
garganta e quando muito requisitava um Raio X, quando algum colégio ou trabalho
exigia.
Concordo plenamente, com a autora da crônica, quando diz que
hoje há tantos médicos, cada um envolvido
nos seus “ istas” ou “atas”, nos receitando coquetéis de remédios... estes especialistas, conhecem cada parte do nosso
corpo, mas eles não nos conhecem como um todo.
Eles não conversam, nem
olham para a nossa cara, vai logo requisitando exames, passando
remédios, e às vezes, o que mais precisamos é de uma palavra de ânimo, conforto
ou somente de um breve esclarecimento.
Mas se eu terminasse agora de escrever, estaria sendo
injusta com dois médicos que atualmente tenho, os “istas” que são a minha
cardiologista e o meu ginecologista.
Eles realmente se interessam
por seus pacientes, fazendo das suas consultas, muitas vezes, o papel de um
outro “ista” –psicanalista.
Obrigada Dra. Regina e Dr. Wagner - vocês são realmente
profissionais por vocação. Como dizem por ai... “para eles eu tiro o meu
chapéu”.
A segunda crônica, que me chamou a atenção, escreverei na
próxima postagem.
Carmen Lucia